Cartão de Crédito para o bem ou para o mal
(Parte 3 – Saindo da dívida do Cartão de Crédito)
Postado em: 25. Jun, 2009 | Por: Danilo Reis | Coluna: Finanças Pessoais
Este é o terceiro artigo da série feita sobre cartões de crédito. Se você perdeu o primeiro ou o segundo, seria muito interessante reaver essas leituras. Caso deseje ir direto aos finalmente (por assim dizer) e aprender como sair do cartão, fique à vontade e leia o restante do artigo.
Parafraseando uma famosa frase “respeite seu dinheiro”: Respeite o crédito, usando-o com sabedoria. Assim como um jogo de poker, você deve ter em mente que, para ganhar da banca (ou do banco neste caso), é necessário jogar pela razão e não pela emoção.
Conhecendo a fatura do Cartão de Crédito.
Essa fatura apresenta alguns pontos específicos em relação as outras cobranças (água, luz, telefone, etc). Toda a contabilização dos débitos e créditos é feita como se fosse o balanço de uma empresa. Nela, estão não apenas os débitos (indicados com sinal de menos), mas também os créditos (valores pagos por você) dentro de um período. Esse período é de trinta dias e termina na data de fechamento do seu cartão e não na data de vencimento, isto é, se sua fatura vence dia 25, provavelmente sua data de corte será entre o dia 15 e 20. Isso acontece para que o banco ou a financeira (como por exemplo a Finasa do Bradesco ou a Fininvest) tenha tempo para contabilizar os valores, gerar uma fatura e ainda sobrar tempo para você pagá-la.
É importante não apenas conhecer sua data de vencimento, mas também a data ótima do seu cartão. Data ótima é o dia em que você terá o maior prazo para pagar (normalmente 40 dias). Para saber exatamente qual é esse dia, basta ligar para o telefone de atendimento do seu cartão.
Notem que, no exemplo de fatura abaixo há um valor chamado pagamento mínimo. Esse valor normalmente é algo em torno de 10% a 20% do total da fatura, mas pode variar de empresa pra empresa, em função da sua taxa de juros (um mesmo banco ou financeira às vezes trabalha com diferentes taxas de juros para cada cliente).
Agora vamos aos cálculos:
Sempre que você paga o mínimo, serão cobrados de você os juros de rolagem desta dívida. Normalmente, essa taxa fica em torno de 13% [:ttip="a.m. = ao mês" id="57"]a.m.[:/ttip]. Assim, se você estiver devendo R$100,00 em uma fatura, como pagamento mínimo seu banco cobrará algo em torno de R$15,00 (supondo uma taxa de 12% [:ttip="a.m. = ao mês" id="57"]a.m.[:/ttip] + 2% de amortização da dívida) (13 dos juros + um valor de amorização de dívida)
Porém o valor de amortização é extremamente baixo e, por ser um percentual, ele entra no limite. Para entender melhor observe o gráfico:
Nota-se que, nesse gráfico, a linha parece ficar cada vez mais próxima do eixo tempo, indicando que o valor esta diminuindo. Porém sem nunca chegar a zero. Isto é o que chamamos de LIMITE, em matemática.
Bom… O tempo passa, o tempo voa e você continua pagando o mínimo sem nunca sair desse ciclo vicioso. Tecnicamente um dia você terminaria de pagar, pois uma hora o valor da fatura seria irrizório, e você teria condições de pagá-lo.
Vamos ao exemplo 1: (se você quiser acompanhar todo o cálculo, baixe nossa “planilha de cálculo”.)
Para isso, vamos usar novamente nosso personagem galã, John T.
Digamos que ele tenha gasto R$1.000,00 há dois meses atrás, porém estava sem dinheiro no mês passado e não conseguiu efetuar o pagamento da fatura do Cartão de Crédito. Neste momento, seus R$ 1.000,00 teriam se tornado R$1.180 devido aos juros (usado uma taxa de 13%, neste exemplo) e os encargos (5%, no exemplo) por não pagamento. (Caso permanecesse sem o pagamento, em 12 meses esse valor seria R$6.175,93, ou 6,17 vezes maior).
Digamos que este mês ele tenha conseguido o dinheiro para pagar o minimo exigido R$ 177,00 (usando um percentual de 15%, média usada no mercado).
Caso continue pagando o mínimo, após 2 anos ele teria pago R$ 2.707,58 por uma fatura de R$ 1.000 e ainda deveria R$ 486,21. Quase metade da fatura.
Neste momento, você deve estar pensando: banqueiros são realmente figuras más. Não que sele sejam carneiros, mas a culpa não é somente deles. É apenas um problema matemático. Tecnicamente, quando é pago o mínimo, você está pagando os juros mais uma taxa de amortização da dívida, porém os juros são calculados sobre o valor do mês anterior e o mínimo sobre a parcela atual. Usando o mesmo exemplo, o pagamento do valor mínimo R$177,00 faria com que a dívida fosse reduzida de R$ 1.180,00 para R$1003,00. Os juros são calculados sobre os R$1003,00 e ficam em R$130,39. Enquanto o mínimo ficaria em R$170,01.
Por esses números, você pode achar: diminuí R$ 39,62 de minha dívida. Infelizmente, na prática, o que já é pouco fica ainda menor, pois os juros do próximo mês absorverão parte desses R$39,62.
Abaixo segue um gráfico mostrando como fica a dívida ao longo do tempo:
Notou alguma semelhança com o gráfico de limite?
Agora ficou claro que, pagando apenas o mínimo, você levará uma parte significativa da sua vida pagando. Vamos ao segundo exemplo contido em nossa planilha.
Se você gosta de matemática (algo em torno de 1% da população), é provável que você tenha pensado: basta pagar o mínimo mais os juros que acabo com essa dívida rapidinho.
Certamente isto é melhor que pagar o mínimo, mas ainda te colocaria em uma situação bem difícil. Pois você teria de pagar um valor maior no começo, porém teria sua dívida decrescendo rapidamente. Abaixo, fiz um gráfico de como ficaria a dívida com essa estratégia.
Utilizando os mesmos dados do 1° exemplo, John T. teria de desembolsar R$330,00 logo neste mês para quitar a dívida e ir reduzindo progressivamente.
Vale lembrar que, para cumprir isso, é preciso ter disciplina. Para os cálculos, nossa planilha pode auxiliá-lo. Você pode inclusive acompanhar o andamento de sua dívida.
Estratégia para sair do cartão – Finalmente.
Esta é a que considero mais simples e mais eficaz.
Negocie a dívida de forma a pagá-la em prestações fixas e jogue o cartão fora. Simples assim.
Com essa estratégia, é possivel negociar com o banco de forma a pagar bem menos que os 13% de juros cobrados em média pelo cartão. Em média, um financiamento fica em torno de 5% [:ttip="a.m. = ao mês" id="57"]a.m.[:/ttip], porém é possível reduzir essa taxa. Com essa estratégia, é possível pagar o financiamento em apenas 11 meses.
Além disso o valor a ser pago fica muito menor no presente e permanece linear com o passar do tempo. Abaixo uma comparação de quanto é a prestação de cada um dos gráficos.
Lógico que o ideal seria quitar 100% do valor do cartão sem ter de usar nenhuma estratégia. Pois mesmo assim você teria pago R$413,00 com despeses puramente financeiras (juros + despesas administrativas).
Ao lado, você pode ver o gráfico (é o ultimo eu prometo) contendo um comparativo dos valores gastos em despesas financeiras (juros +despesas administrativas).
Espero que vocês tenham gostado dessas informações e, mais que isso, que elas realmente sejam úteis.
Esse é o último dessa série de artigos sobre o Cartão de Crédito.
Será?
A escolha sobre qual caminho seguir é somente sua, porém podemos ajudar mostrando as armadilhas e os benefícios de cada caminho. Não se esqueça de deixar um comentário e, caso surja alguma dúvida ou crítica, basta encaminhar um e-mail para hotmoney@portalhotmoney.com .
Um forte abraço.
Baixe a planilha usada nesse post

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2 Comments
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31. Aug, 2009
[...] visões, porém não é este o caso. Devo confessar que já estava um pouco cansado de falar de cartão de crédito e decidi iniciar uma série de artigos a respeito de proteções financeiras e [...]
Lucca
14. Jul, 2010
O que acontece se eu pager um cartão com outro cartão e continuar assim indefinidamente? Se atingir o limite eu faço outro cartão.
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