Simplificando o Risco
Postado em: 09. Mar, 2010 | Por: André Visnadi | Coluna: Renda Fixa
Quem disse que para entender o que é risco deve-se conhecer muito bem o mercado financeiro? Vocês entenderão a definição de risco agora!
O risco é inerente a qualquer processo que exista neste mundo! Como uma coisa que é intrínseca a qualquer decisão – desde levantar de sua cama de manhã até a decisão de em qual país você vai construir uma nova fábrica – tem que ser tão mitificado quanto é hoje?
Todos nós corremos riscos, desde nossa atividade mais corriqueira, como beber água! O grande problema dessa variável é como mensurá-la, o que às vezes envolve cálculos estatísticos avançados.
Meu único objetivo aqui é que você entenda o que é o risco em sua essência e que consiga aplicar este conceito às suas finanças. Depois pensaremos exatamente como medi-lo…
Do início
Pense bem, quando você está em sua sala e começa a ficar com sede, o que faz? Bebe água?
Não! Pense um pouco melhor. Você está com sede, se levanta, vai até a conzinha, abre o armário, pega um copo, vai até o filtro, enche o copo, bebe a água e, por fim, volta para a sala. Não é isso?
Conclusão: Você correu o risco de que não acontecesse nada além disso, e nada de fato aconteceu! Exatamente como você previa!
Vamos ver outra situação. Você está com sede. Levanta-se sonolento e dá aquela topada com o dedo mindinho do pé esquerdo bem na quina da mesinha de centro, fica nervoso e sai pulando até a cozinha. Ainda nervoso, abre o armário e acaba quebrando um copo que estava na beirada, escolhe outro copo e vai até o filtro que, por acaso, não está funcionando. Louco da vida resolve pegar o carro e ir até uma loja de conveniência comprar uma garrafa d’água.
Com tanto azar, é melhor eu parar por aqui…
Conclusão: Você correu o risco de dar tudo errado e realmente deu tudo errado! Totalmente oposto ao que previa inicialmente!
Na prática
Quando pensamos em aplicar nosso dinheiro, também temos que pensar nesses dois extremos. Ao aplicar em ações, por exemplo, você corre os riscos de ganhar dinheiro, de ficar no zero a zero e até mesmo de perder todo o dinheiro que aplicou!
Para conseguir ter um bom gerenciamento de seu dinheiro, deve-se pensar nos piores cenários possíveis e se perguntar: “Será que eu suportaria esse risco?” Mesmo que no final os piores cenários não aconteceram! No fim, o que prevaleceu foi um cenário intermediário, quem sabe?
Galera, isso é essencial para gestão das suas finanças pessoais, não corra mais risco do que pode suportar. Principalmente, se o dinheiro que você pode perder está comprometido com pagamentos.
Ninguém pode prever o que acontecerá no futuro. Não existem fórmulas mágicas, as grandes dicas neste texto são:
- Defina cenários extremos pra você, quando for fazer alguma aplicação; entenda quanto você pode perder e se pergunte se suportaria essa perda;
- Risco não é só variação negativa. Você também está incorrendo o risco de sair ganhador, ou simplesmente de não ganhar nem perder nada.
Voltando ao mercado financeiro, dependendo do tipo de produto que você adquirir, está assumindo riscos diferentes. Existem quatro grandes tipos de risco:
- Risco Operacional: É o tipo de risco inerente ao processo de operacionalização da negociação que você está fazendo, também conhecido como risco humano. Ex.: Você dá uma ordem de venda a R$ 30,00 de [:ttip="Código de negociação das ações preferenciais da Petrobrás na Bovespa." id="97"]PETR4[:/ttip] e o infeliz do estagiário (não se ofendam, eu já passei por isso também) esquece de imputar essa operação no sistema. Conclusão, a cotação cai e você não consegue vender ao preço pretendido; como mitigar este risco: Pesquise muito bem antes de abrir uma conta em qualquer instituição. Pesquise sua reputação no mercado, peça referencias etc;
- Risco Legal: Risco relacionado a contratos não amparados. Ou seja, perdas decorrentes de documentação insuficiente, ilegalidade e falta de representatividade; como mitigar este tipo de risco: Tomar muito cuidado com a documentação na abertura de sua conta, bem como com as atualizações cadastrais, inclusive de seus procuradores;
- Risco de Crédito: É o risco de você não receber, na data combinada, seu dinheiro. Por exemplo: você compra um [:ttip="Certificado de Depósito Bancário" id="39"]CDB[:/ttip] do banco XPTO, com vencimento para daqui a um ano. Ao final do contrato, o banco fica sem liquidez (sem dinheiro) e não consegue te devolver o valor aplicado corrigido; como mitigar este tipo de risco: Da mesma forma que o risco operacional;
- Risco de Mercado: Este tipo de risco não tem relação com a instituição intermediaria. É o risco da variação nos preços de mercado dos ativos. Por exemplo: você compra 100 ações da Vale por R$ 55,00. No dia seguinte, as mesmas ações custam R$ 50,00. Essa variação negativa representa o risco de mercado, pois o mercado inteiro está sujeito a esse mesmo risco de perda; como mitigar esse mitigar esse risco: Se, além das ações da Vale você comprar outro papel que obtenha variação positiva, você compensará a perda.
Este artigo tem apenas um caráter introdutório… Espero que já consigam ter uma idéia mais clara do que é Risco, quais seus tipos e como evitá-los. Além disso vocês podem conferir também o texto do André Abou a respeito de proteção, e vocês vão começar a ver como o risco pode ser usado para proteção!
Para dúvidas adicionais, estamos à disposição!
Abraços!

Hotmoney no podcast do WeRGeeks!
Imóveis são um bom investimento!
Não plante seu futuro sob a areia
Finanças pessoais com minha bisavó
As mais quentes do mundo do dinheiro –
[especial] As fronteiras da educação financeira, com Cássia
Quanto custa fazer o hit do verão?
Por que eu não tenho 1 milhão? –
A Grécia e a crise europeia em um
John Doe vai às compras













One Comment
Hotmoney - Hedge | Hotmoney
12. Mar, 2010
[...] Desde os tempos longínquos do Momento Pai Mei até nossas conversas mais recentes – dedicados às mulheres, mas com bastante conteúdo para todos – temos falado muito de forças econômicas antagônicas, que se movem e se influenciam em Correlação Inversa. Ou seja, muitos elementos da economia interagem com que numa gangorra: quando um sobe, o outro cai. E aqui no Hotmoney, outros assuntos têm sido abordados que também tem muito a ver com essa gangorra, como, por exemplo, o risco. [...]
Deixe uma resposta