Bolsa, rímel e sombrinha (parte 1)

Postado em: 24. Feb, 2010 | Por: | Coluna: Mais Dinheiro

Rímel

Olá! Eis que estou aqui de volta! Apesar de ter estado meio fora de sintonia ultimamente, nossos assuntos não acabaram! Pensando nisso, vou retomar o assunto que comecei em Sabedoria Oriental, em que falava das forças universais antagônicas, e das forças econômicas igualmente em oposição. E você, sagaz como toda mulher, já sacou que este texto é dedicado a vocês! E o que as mulheres têm a ver com isso?

Pois bem. No ano passado, o COPOM decidiu reduzir a taxa de juros básica do Brasil, a SELIC, a 8,75% [:ttip="a.a= ao ano" id="14"]a.a [:/ttip]. Como se falou por aí, e como nós mesmos dissemos no After Market, a taxa nesse patamar faz com que os juros reais praticados no Brasil sejam próximos de 4,5%. Juros reais? E por acaso existem juros fictícios? Calma..Sala de Reunião. Falaremos deles daqui a pouco. O importante é que essa taxa é a menor desde 1995. E quem acompanhou os noticiários de economia na época pode perceber que havia euforia nas vozes dos apresentadores quando falavam desse patamar histórico. Porém há um outro lado dessa moeda em que você, poupadora que é, pode querer prestar atenção: o dinheiro que está no banco também tem rendido a juros que estão nesse patamar histórico, ou seja, muito pequenos! E, convenhamos, uma remuneração assim não é bacana, nem para as mais conservadoras. Bacana mesmo é descobrir que aquela calça de dois anos atrás ainda serve!

Então juros altos são bons? Ou minha aplicação rendendo menos é que é a solução para a crise econômica da Grécia? Quais as forças universais que regem essa gangorra?

Vamos a elas:

Investidores x Poupadores

Como já nos ensinou muito bem nosso caro amigo André Visnadi quando falou do que é investir , investir e poupar são coisas diferentes. (Vou confiar que vocês, leitoras cuidadosas que são, já foram até o post do André pra entender melhor). O problema dessas definições é que seus usos muitas vezes se confundem no dia-a-dia. Vocês já devem ter ouvido: “menina, estou investindo numa ação que só está subindo”, quando de fato estamos poupando ao comprar tal ação.

O poupador é a pessoa que quer guardar dinheiro, ou seja, a grande maioria de nós. O poupador, em geral, quer acumular capital – apesar de nem sempre saber para quê – e, para isso, coloca o dinheiro nas aplicações de um banco, por exemplo. Vulgarmente dizemos que essa pessoa está “investindo” em fundos, ou ações etc. E o poupador recebe uma recompensa do banco por deixar seu dinheiro lá: os juros. Para o poupador, quanto maior as taxas de juros às quais o banco o remunera, melhor, certo? Afinal você, que não é boba nem nada e gosta de ver seu dinheiro crescendo de maneira segura e consistente, não se importaria nem um pouco se ele crescesse bastante, ainda de maneira segura e consistente, claro.

Contudo de onde o banco tira o dinheiro para pagar tais juros a você, poupadora? O banco utiliza seu rico dinheirinho para emprestar a outras pessoas e empresas, também cobrando uma taxa de juros. Na verdade, o banco pode inclusive utilizá-lo para fazer um empréstimo a você mesma! (Agora esse cara pirou de vez…) Lembra daquele mês em que você deu uma

estouradinha nos gastos, principalmente com o cartão de crédito (claro que isso foi antes de ler os textos do Danilo, né?), tudo por causa daquela liquidação de Melissinhas? Pois então. Naquele mês, sua conta bancária ficou [:ttip="Jargão do mercado quando nos referimos a uma conta bancária que ficou devedora" id="89"]virada[:/ttip], o que significa que o banco te emprestou dinheiro! E te cobrou juros!

"É que elas estavam em promoção!!!"

"É que elas estavam em promoção!!!"

O banco também pode emprestar dinheiro a empresas, para que elas comprem mais maquinário, mais matérias-primas e tudo o mais. Neste momento, o banco está financiando o investimento das empresa

Com os juros que você pagou naquele mês fatídico e com os juros dos outros empréstimos e financiamentos que o banco fez a outras pessoas, ele remunerou seus poupadores. Para essas pessoas, como você, que precisaram pegar dinheiro emprestado, creio que seja interessante que as taxas de juros sejam as menores possíveis.

É nessa corda bamba que vivemos, pois praticamente todos os agentes da economia atual são ambos investidores (por consequência, possíveis tomadores de empréstimos) e poupadores. E como assumimos ambos papeis, queremos que as taxas de juros caiam para pagarmos menos juros, mas queremos que elas subam, para recebermos mais nas aplicações. Confuso, não?

Um pouco… Mas pode ficar tranquila! Quão mais aprofundados forem nossos conhecimentos desse mundo financeiro, mais confusas as coisas ficam. E mais divertidas de se descobrir também! E como mulher que se preze, você sabe de cor todas as coisas que carrega na bolsa; não vai se perder com um assunto tão trivial quanto a economia. Por isso fiquem ligadas, que falaremos mais de dicotomias, juros e muchas cositas más!

Beijos!

Sobre o autor

André Abou André Abou não gosta de complicação. Escreve no Hotmoney de maneira descomplicada e divertida, porque acha que finanças e economia não são coisas de gente engravatada. Resolveu também que preencher “empresário” em formulários é legal.

2 Comments

[...] Na primeira parte de Bolsa, rímel e sombrinha, falávamos de como a economia e suas dicotomias podem ser confusas. Me atrevo a dizer, contudo, que não chegam nem perto do labirinto que pode ser a mente feminina para um homem… Sendo assim creio que será fácil entender a dicotomia de que falarei agora. [...]

[...] Depois de tanto falar às mulheres, agora é a vez de falar com os camaradas. É que os brothers que lerem o subtítulo deste texto têm mais chance de sacar a referência (garotas, não me abandonem, por favor! muitas de vocês entenderão também!) [...]

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