Bolsa, rímel e sombrinha (parte 3)
Postado em: 08. Mar, 2010 | Por: André Abou | Coluna: Mais Dinheiro
Na parte final de Bolsa, rímel e sombrinha, vamos entender como as commodities e o dólar se relacionam e como isso pode ser utilizado como proteção. E ninguém entende mais de proteção que vocês, mulheres, sempre prevenidas!
Olá senhoras e senhoritas! Eu sei que, nos últimos capítulos de Bolsa, rímel e sombrinha, tenho enrolado vocês até explicar de fato o porquê desse título estranho, o porquê de falarmos de commodities e tudo o mais. E não tem nada que uma mulher odeie mais que homens as enrolando! Então vamos acabar com essa história e entender aonde eu queria chegar.
Na parte 2, eu falava a vocês do suco de laranja e da sua relação com o mercado financeiro. E eu dizia que o suco de laranja é uma commodity, que tem [:ttip="Correlação Inversa é a relação lógica entre duas variáveis mutuamente inflienciáveis de modo que um aumento em uma variável gere uma redução na outra, e vice-versa." id="93"]Correlação Inversa[:/ttip] com o dólar. E, voltando ao começo de toda essa maluquice, commodities e dólar são duas outras forças universais antagônicas.
Mas por que o são? Ora, pela lei da oferta e da procura, minhas caras!
Oi?
As commodities, em sua definição, além de necessariamente serem produtos agrícolas ou minerais (alumínio, níquel, entre outros também são commodities), também devem ser produtos comercializáveis na forma de ativos. Como falamos na segunda parte, o suco de laranja é negociado internacionalmente como um ativo denominado [:ttip="Frozen Concentrated Orange Juice" id="94"]FCOJ[:/ttip]. Esse ativo nada mais é que uma abstração, do mesmo jeito que a ação [:ttip="Código de negociação das ações preferenciais da Petrobrás na Bovespa." id="97"]PETR4[:/ttip] é a representação de uma parte da empresa Petrobrás! Melhor: é como o apelido do seu namorado, que é uma abstração de alguma característica dele (se ele for peludo, como o Tony Ramos, aposto que você o chama de ursinho!).
Trocando em miúdos, a commodity é, de fato, esse ativo negociável em si, e não o produto agrícola. E a negociação de commodities no mundo se dá em larga escala em dólares. A maior Bolsa de commodities do mundo é a Bolsa de Chicago! Além disso essas commodities todas, por serem ativos negociáveis, ou seja, pela característica delas de serem compradas e vendidas pelo mundo, sem necessariamente haver a troca dos produtos e bens a elas atrelados, são utilizadas como reserva de valor.
Numa digressão rápida (novamente essa digressão…), o conceito de reserva de valor diz que a commodity tem a mesma função que o dinheiro em si. Historicamente falando, desde a década de 1970 aproximadamente, no mundo, adotou-se a noção de que o valor do dinheiro (sim, nosso dinheirinho de cada dia) não está atrelado a nenhum outro bem. Até então, utilizava-se o chamado padrão-ouro: para cada nota de dinheiro circulando na economia, deveria haver um valor equivalente em ouro no Banco Central de um país. Contudo, na medida em que a economia mundial foi se desenvolvendo no pós-Segunda Guerra Mundial, todo o ouro do mundo não seria suficiente para dar conta de todo o dinheiro existente. O que fez com que os economistas percebessem que o valor do dinheiro não dependia de seu lastro em ouro, mas, sim, do valor que a economia dava a esse dinheiro.
Voltando às commodities (agora vai ficar mais fácil de entender a reserva de valor), imagine que você é uma empresária bem-sucedida no ramo de batons. E você deseja ampliar sua fábrica, afinal seu produto é tão bom que está vendendo como água no deserto! Então você pensa: de onde vou tirar o dinheiro para comprar as máquinas de que preciso? Seu dinheiro em caixa, ou seja, na conta bancária, não seria suficiente… Mas, por outro lado, você possui um estoque muito grande de batons (porque você o estava guardando para o Dia Internacional das Mulheres, quando as vendas iriam para as alturas). E o que é o estoque? Uma reserva de produtos, que, se vendidos, serão transformados em dinheiro, correto? E se você pudesse trocar batons por máquinas? Afinal seu estoque é quase como uma reserva de valor! Você poderia ampliar a fábrica com seu estoque!
Nem tudo são flores, minhas caras…
Infelizmente, batons não são uma moeda corrente em nosso país… Na verdade, em nenhum país (se alguma de vocês souber de um país que o utilize, me avise!)!
Contudo, como já vimos, as commodities são produtos padronizados, aceitos internacionalmente. De modo que, em tese, nós poderíamos realizar negociações de compra e venda utilizando commodities como moeda comum! Sendo assim imagine que seus batons em estoque fossem de fato aceitos internacionalmente em negociações: você teria efetivamente reserva de valor com seu estoque!
Nesse sentido, as commodities agem na economia como reserva de valor, pois grandes investidores podem trocar dinheiro por essas commodities e depois convertê-las em dinheiro novamente com grande agilidade. Supondo que o Real sofresse com uma inflação terrível novamente, como já ocorreu no país, vocês, inteligentes como são, não iam querer que seu dinheiro se desvalorizasse. Então vocês poderiam comprar commodities, cuja desvalorização pode não ser tão drástica quanto a do Real em si, e se proteger!
Proteção?
E finalmente chegamos ao final desta incrível jornada!
Com tudo isso que vimos, agora podemos entender que commodities e o dólar possuem uma [:ttip="Correlação Inversa é a relação lógica entre duas variáveis mutuamente inflienciáveis de modo que um aumento em uma variável gere uma redução na outra, e vice-versa." id="93"]Correlação Inversa[:/ttip], porque:
Quando o preço das commodities sobem, mais investidores estão comprando esse ativo, consequentemente fazendo reserva de valor. Qual a outra grande forma de reserva de valor que também é aceita internacionalmente? O dólar!!! Logo mais demanda por commodities implica em menos demanda por dólar! A moeda se desvaloriza!!
Não é lindo?
E tem mais: para coroar esta conversa tão agradável com todas vocês, vamos entender por que o rímel entrou nessa história!
Eu não disse que as commodities são um ótimo meio de proteção? Pois bem! Os produtores agrícolas e os mineradores também querem se proteger das variações nos preços dos seus produtos. O mercado de commodities é um mercado sempre futuro, ou seja, você compra hoje a promessa de receber o suco de laranja numa data futura (meio como seu namorado, dizendo que vai parar de te enrolar e que quer se casar…). Um produtor de laranja, por exemplo, pode se antecipar aos preços desse produto no mercado, sabendo qual a tendência desse preço.
Além disso, vocês, mulheres sempre tão prevenidas, se tiverem dólares guardados, podem transformar alguns deles em commodities, de modo que, quando dólar cair, as commodities subirão, e vocês não perderão tanto dinheiro!
Proteção de que só vocês entendem!
Gostaram dos textos em vossa homenagem? Nada melhor do que conversar sobre assuntos tão importantes nesse Dia Internacional das Mulheres! Só deixo um aviso: não vão negociando commodities por aí sem antes entender muito bem como tudo funciona!
Se bem que esse aviso é meio redundante… Vocês não são tão afobadas quanto nós, homens. São prevenidas. Sempre carregando na Bolsa um rímel e uma sombrinha, pois nunca se sabe!
Beijos e parabéns!
Bolsa, rímel e sombrinha (parte 2)
Podcast After Market – 23.09.2011
Podcast After Market 21.01.2011
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Bolsa, rímel e sombrinha (parte 1)
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Sabedoria Oriental













3 Comments
Hotmoney - Simplificando o Risco | Hotmoney
09. Mar, 2010
[...] é Risco, quais seus tipos e como evitá-los. Além disso vocês podem conferir também o texto do André Abou a respeito de proteção, e vocês vão começar a ver como o risco pode ser usado para [...]
Juliana Visnadi
10. May, 2010
Adorei! Realmente nós mulheres somos muito prevenidas com nossas bolsas enormes…
E com essa série, agora me sinto satisfeita por entender o que é commodity e essa relação com o dólar que nunca havia entendido!
bju
André Abou
11. May, 2010
Olá Juliana!
Que bom que gostou! Era essa a intenção mesmo!
É o mínimo que eu posso fazer: trazer as mulheres pra esse mundo tão complicado das finanças!
Beijos
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