SELIC: o que eu tenho a ver?

Postado em: 25. Feb, 2010 | Por: | Coluna: Dicas

SELIC

Tudo! Pois é, se, mesmo depois dessa outra dica, você ainda tem alguma dúvida sobre a relação da SELIC com seu bolso, este texto cairá como uma luva!

Muitos dos leitores do Hotmoney me disseram que, apesar de entenderem perfeitamente o conceito ao ler o texto explicativo sobre a SELIC, ainda assim tinham dificuldade em fazer a relação com suas próprias finanças.

Justamente por isso resolvi escrever um texto com dados reais sobre como a SELIC influencia direta e indiretamente sua vida!

Como ponto de partida, vou relembrar rapidamente como é formada a SELIC.

O [:ttip="Comitê de Política Monetária"]COPOM[:/ttip] se reúne a cada 45 dias para estabelecer a meta da taxa básica. Esta meta é utilizada pelo mercado financeiro para emprestar e receber dinheiro (processo de intermediação) e também é a taxa que o [:ttip="Banco Central do Brasil" id="31"]BACEN[:/ttip] usa para remunerar os títulos públicos que põe no mercado.

Para definir essa meta para a SELIC, o [:ttip="Comitê de Política Monetária" id="30"]COPOM[:/ttip] analisa todo o cenário econômico nacional e internacional, principalmente no que tange os índices de inflação.

Mas por que a inflação? Qual a relação da taxa de juros com a inflação? A resposta desta pergunta responde também ao título deste texto!

Vamos Lá!

As taxas de juros são as melhores ferramentas, no “curto prazo”, para controlar ou manter estáveis os níveis de inflação do país.

Raciocine comigo:

  • Com baixas taxas de juros, o custo do dinheiro é menor, ou seja, com taxas baixas as pessoas se interessam mais em tomar dinheiro emprestado;
  • Se as pessoas têm mais dinheiro disponível ou seu acesso a ele é facilitado, elas gastam mais;
  • No curto prazo, se a procura por produtos aumenta e os produtores não conseguem oferecer mais produtos no mercado, o preço sobe!

Isso é chamado de Inflação de Demanda, ou seja, existe a mesma quantidade de bens para cada vez mais compradores, forçando o preço para cima. Logo, o vendedor quer obter a melhor receita possível e esse aumento no preço do produto que acaba “filtrando” os possíveis compradores.

Quando o COPOM eleva a taxa básica de juros, ele também está “filtrando” compradores potenciais.

Logo, quando os índices de inflação ou mesmo o cenário indica um aumento dos preços, o COPOM institui um aumento na taxa SELIC, encarecendo o dinheiro a que as pessoas querem ter acesso.

Vamos ver de outra forma!

Casas Bahia

Pensando bem...

Chegou o Natal e você quer comprar uma LED TV 52’ nas Casas Byanas que custa R$ 10.000,00. Você pesquisou e viu que, no carnê, a TV sairia por R$ 984,00 ao mês. Desatento, não viu que o COPOM decidiu, na mesma noite, aumentar a taxa SELIC em 1,5 [:ttip="Ponto percentual." id="51"]p.p.[:/ttip], indo para 10,25% ao ano. Na semana seguinte, você vai comprar a TV. Quando chega à loja, percebe que, ao invés de pagar os R$ 984,00 por mês, você pagará agora R$ 1.000,00 ao mês no carnê. Você compraria a TV?

Aquela TV antiga de tubo parece mais bonita agora, não é?

Obviamente, pessoas comprarão a TV em detrimento de outros bens. Porém você concorda comigo que muitas pessoas desistirão de comprar novos bens devido esse “pequeno” acréscimo? Pois é, esse é o efeito que um aumento nos juros causa!

Menos pessoas interessadas em comprar diminuiria a demanda, gerando um arrefecimento nos indices de inflação. Pronto! É isso que o [:ttip="Comitê de Política Monetária" id="30"]COPOM[:/ttip] almeja quando toma suas decisões! Fácil ou não?

Só pra complicar, não é só o preço do financiamento que aumenta com a SELIC, o custo da produção destes bens também fica mais cara, portanto o produtor irá embutir no preço final esse excedente de custo de sua produção. Fazendo uma associação com a Teoria dos Mercados Eficientes, quanto à racionalidade dos agentes da economia, se racional, o consumidor irá se desinteressar por qualquer bem à medida que seu preço aumenta e irá procurar bens substitutos pra ele.

Pra fixar o conceito, trouxemos um gráfico comparativo com informações divulgadas no site do BACEN. Veja como se comportam as taxas cobradas por instituições financeiras em relação à taxa básica financeira nacional, a SELIC. Os dados são mensais e vão de 1999 a 2009:

SELIC x Bancos

SELIC x Bancos

Percebeu como as taxas cobradas nas linhas de crédito bancários andam praticamente junto com a SELIC?

Claro que as taxas de juros cobradas pelos bancos nunca serão iguais à SELIC, que também é a taxa básica da economia brasileira. O banco não vai querer receber só a SELIC pra te emprestar seu dinheiro. Então essa diferença entre a taxa básica e as taxas das linhas de financiamento bancário representa nada mais nada menos que o spread ou, mais conhecido como lucro do banco.

É o preço que pagamos por usar um dinheiro que não é nosso!

Espero que tenham compreendido melhor como as decisões do Comitê de Política Monetária influenciam na sua tomada de decisão entre comprar mais ou poupar mais.

O próximo passo agora é ficar de olho nas reuniões mensais do [:ttip="Comitê de Política Monetária" id="30"]COPOM[:/ttip]. Se estiver interessado em saber mais sobre as reuniões, fiquem atentos ao After Market, nosso podcast semanal! Sempre que divulgadas, apresentaremos pra vocês as decisões, pautas, comentários do COPOM, do mercado e, claro, nossos comentários sempre apimentados!

Fiquem de olho!

Sobre o autor

André Visnadi André Visnadi é um financista associado ao IBEF-SP que cansou de ver seus colegas de trabalho chatos durante suas passagens por grandes instituições financeiras e resolveu fundar o Portal Hotmoney junto a dois amigos do curso de Administração de Empresas na PUC-SP.

2 Comments

Danielle

25. May, 2011

aii q bom!!agora eu entendi tudo!!

Moreira

04. Aug, 2011

Muito bom cara.

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